! O Corneta | Inflação diminui o arroz e o feijão no prato!

Inflação diminui o arroz e o feijão no prato!

Em edições passadas da Rádio Corneta, realizamos uma enquete pra saber como está o custo de vida na casa do trabalhador. A resposta foi unânime, recebemos diversos depoimentos de metalúrgicos, aeroviários, trabalhadores informais, desempregados e de assalariados de outras categorias. A percepção é sempre a mesma, o custo de vida do peão aumentou durante a pandemia! As estatísticas e jornais andaram falando em deflação, mas os gêneros de primeira necessidade, aqueles que contam no bolso das famílias, aumentaram de preço.

Um operário de Guarulhos chegou a comparar a sensação de ir ao mercado hoje com ir ao supermercado na época do governo Sarney. A diferença é que agora a gente vai de máscara! Algum economista lambe bota de patrão poderia retrucar. “Ah, mas naquela época a inflação era muito maior!” Pilantras! Esse engomadinhos falam de boca cheia, porque não vivem na pele o que é sustentar a família com um salário cada dia mais em queda.

Nós, do Corneta, já nos anos 80, divulgávamos no jornal, artigos sobre o poder de compra do trabalhador, e a luta contra o rebaixamento das condições de vida. Numa dessas edições, justamente na época do governo Sarney, nós dizíamos:

“medir os preços não basta. É preciso fazer uma pesquisa, junto aos assalariados, para saber o que eles consomem e qual o peso desses bens no seu orçamento familiar”.

Naquela época, o Corneta noticiava o assalto que era o aumento de 70,68% no valor dos aluguéis, com o fim das garantias do plano cruzado. Isso, num cenário em que os gastos com habitação compunham 20,1% de todo o orçamento do peão.

É isso, companheiros! Até hoje a situação segue a mesma, o custo de vida do peão fica escondido nos índices de inflação. A inflação pode variar de governo pra governo, mas o que é uma constante é a corrosão sempre presente dos nossos salários. Isso, sem falar das incertezas cada vez maiores sobre a garantia dos nossos empregos.

E qual a causa da inflação? Como controlar isso? Alguns operários ensaiaram responder a essas perguntas  jogando a culpa nos governadores que insistiram em fazer quarentena. Como se o governo federal, com Bolsonaro, ao defender um liberou geral na pandemia estivesse preocupado em defender nossos salários e empregos.

Companheirada, o buraco é mais embaixo. A inflação não surgiu pra nós em 2020. A economia oscila, mas sempre pende pra esmagar o nosso lado da balança! Tanto Dória, como Bolsonaro, ou Witzel, ou os governadores e parlamentares do PT… ou seja, qualquer político burguês não está interessado em defender a nossa condição de existência. Tão governando para os interesse do patrão! Como cantaram os motoboys em greve, eles nos jogam pra morrer de vírus ou de fome!

O dragão da inflação não é novidade da pandemia, nem mesmo a crise econômica colossal que se espalha pelo mundo hoje. A crise sanitária do Coronavírus só acelerou um processo que estava em curso. O capitalismo não vive sem desemprego e sem inflação. Os patrões se alimentam da nossa miséria. Só a luta organizada dos trabalhadores em defesa dos salários e dos empregos será vacina verdadeira para esse mal.


ANEDOTA

O Brasil segue com índices absurdos de morte pelo coronavírus. Os políticos de inúmeros partidos já tratam como se fosse normal termos mais de mil mortos todos os dias. E na falta do que dizer, os ratos de Brasília começaram a preencher o noticiário com piadas! Sim, piadas de muito mau gosto! Se não bastasse o jornal O Globo ter dito recentemente que já é a hora do Brasil perdoar o PT… Não. O chão de fábrica não quer perdoar o PT!

A última comédia ficou por conta do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O nobre gênio usou o twitter pra pedir… desculpas!… ao Brasil por ter confiscado a nossa poupança há… TRINTA anos!

É mole. O desgraçado disse que achou que ia conter a inflação com aquilo… É mesmo um safado! Como disse ao Corneta a mãe de um operário da antiga Ford do Ipiranga: “depois que inventaram a desculpa, a minha pexeira enferrujou!”

22.07.2020

Categorias: Editoriais O Corneta, Rádio Corneta
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