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Lula e Bolsonaro: diferentes lados da mesma moeda

Propaganda falando de asfalto na rua, sorriso falso, papo-furado sobre segurança, educação, saúde: ano de eleição. A gente sente no bolso a situação ficando grave. A classe dos patrões não tem proposta além de piorar nossas condições de vida e de candidatos pra nos convencer a ter boa vontade enquanto ela nos aperta. Nos grupos de whats vemos companheiros se chamando de coxinha e mortadela. Mas essa divisão é falsa: depois da eleição eles correm pelos empresários e só nós corremos por nós.

Nos últimos anos, a lama se escancarou. Milhões em propina, desvio, caixa 2, correndo pelo Estado corrompido da burguesia. O fato de alguns terem rodado é uma ameaça para eles. Os burgueses estão com medo, e precisam segurar a revolta da população.

Lula e Bolsonaro são dois lados da mesma moeda: vão disputar pra convencer a burguesia de quem tem mais capacidade pra passar ataques e aplicar medidas autoritárias, como a intervenção no Rio.

Bolsonaro aparece por sua oposição ao PT, e tem muito companheiro que gosta dele por causa isso. Mas tem que abrir o olho, o cara é um doente. Tá sempre tentando dividir o trabalhador, e morre de saudade da ditadura. Fala grosso com o peão e fino com o patrão. Votou a favor de vários ataques, e não pensaria duas vezes em mandar bala pra esmagar a nossa luta organizada.

Lula a gente já conhece. De cara, aprovou uma reforma da previdência. Corrupção no Estado e pelegagem no sindicato: a CUT fez corpo mole pra todas as reformas. E foi o próprio Lula que preparou o terreno pra chegarmos onde estamos: surfou num bom momento da economia pra realizar os sonhos do empresariado enquanto dava migalhas pra população. Criou a Força Nacional e pôs ela pra reprimir greve. Depois a Dilma, sua aluna, mandou o exército ocupar os morros, coisa que nem a ditadura tinha feito!

Hoje, Bolsonaro fala mais abertamente em esmagar os trabalhadores pobres. Mas, pra burguesia, Lula é uma opção mais segura. Por isso enrolam tanto com a sua prisão. Lula já mostrou (em três mandatos) que consegue segurar os trabalhadores, e se tem alguém que conseguiria ferrar com a nossa vida pagando de bom moço é ele. O cara não foi pego com a boca na botija e mesmo assim tem um monte de gente defendendo? Pra burguesia, isso é ouro. Nenhuma confiança nesses caras!

Só tem patrão e pelego nas urnas?
Pra merecer o voto do trabalhador tem que ser o exato oposto desse tipo de político. Tem que ser contra as reformas não só da boca pra fora; precisa ajudar cotidianamente na luta da nossa classe. Não pode tratar a eleição como se fosse a solução pro trabalhador, ela é o terreno do inimigo. Os patrões e o governo controlam as eleições com o dinheiro e o poder. Nada de bom sai de lá.

Um candidato do peão, no lugar de fazer promessas, tem que usar o espaço eleitoral pra denunciar toda a sujeira e corrupção da política comprada pela burguesia, e defender a luta da classe trabalhadora pra botar ordem no país!

Alguém merece nosso voto?
Poucos partidos oferecem espaço para a revolta dos trabalhadores. O PSOL, que nasceu como um racha do PT por ser contrário à reforma da previdência feita por Lula no início de seu mandato, repete os erros do velho PT. Provavelmente o candidato deles à presidência será Guilherme Boulos, líder do MTST, que está cada vez mais próximo de Lula.

O PSTU merece atenção por se opor mais diretamente ao PT, ter participado das lutas dos trabalhadores contra as reformas trabalhista e previdenciária e defenderem uma revolta da população contra a situação presente. Eles lançarão como candidata a operária sapateira Vera Lúcia, do Sergipe.

05.03.2018

Categorias: Editoriais O Corneta
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