! O Corneta | Qual a saída para a classe trabalhadora?

Qual a saída para a classe trabalhadora?

Falta emprego para 27,7 milhões de pessoas em nosso país, segundo dados do IBGE. É um novo recorde, atingindo 25% da força de trabalho brasileira. Uma em cada quatro pessoas em idade de trabalho está desempregada ou fazendo “bico”.

A produção industrial, que poderia absorver os desempregados, não avança porque os empresários não têm grandes perspectivas de lucro neste momento. A economia se debate no fundo do poço. No capitalismo é assim: quando os empresários não veem lucros, deixam as fábricas paradas e largam os trabalhadores à própria sorte. Para piorar, os empresários contam com o exército de desempregados, que pressiona quem trabalha a aceitar salários mais baixos.

É também a pressão do desemprego que traz o risco da aprovação, nos próximos acordos coletivos, de diversas medidas nefastas da reforma trabalhista. Essa reforma tem como eixo criar mais instabilidade para o trabalhador, facilitar demissões e rotatividade para baratear a mão de obra. Não podemos aceitar!

A classe trabalhadora não pode ficar esperando a boa-vontade dos capitalistas. A nossa classe precisa se blindar contra a crise.

A única forma de fazer isso é adotando medidas urgentes que não permitam arrocho salarial e demissão, e abram postos de trabalho para absorver os desempregados. Não há outra saída, não há “meio termo”, não há índices de reajuste salarial anual que resolvam, não há PLR, não há “plano de proteção ao emprego” que realmente salvem a classe trabalhadora da miséria. Que fazer então?

Medidas urgentes para estancar a crise:

1. Nenhum arrocho! Com um mínimo garantido, os salários devem ser reajustados todos os meses, de acordo com a inflação básica (escala móvel de salários);

2. Nenhuma demissão! Com um máximo estabelecido, a jornada de trabalho deve ser reajustada todos os meses, sendo as horas necessárias divididas entre todos, sem redução salarial (escala móvel de horas de trabalho);

3. Fim do desemprego! Exigir aos governos (municipais, estaduais e federal) Frentes Públicas de Trabalho. Construir escolas, hospitais, obras viárias e tudo de que a maioria deste país necessita! Uma vez empregados, os antes desempregados entram no esquema das duas escalas acima (pontos 1 e 2).

Como realizar este programa? Os lutadores devem organizar suas bases, em suas empresas, para a criação de comitês de base, comitês de empresa e de fábrica, democraticamente eleitos, capazes de lutar em cada local por essas reivindicações. Elas devem ser aprovadas nos acordos coletivos. Onde os sindicatos são pelegos, não se deve esperar nada para se iniciar a criação de redes internas às fábricas. Somente essas redes e o comitê de fábrica podem levar às últimas consequências a luta pelas reivindicações acima.

No caso dos desempregados, os sindicatos de luta e outros movimentos populares (associações contra desemprego, associações de bairro, ocupações populares, movimento estudantil etc.) devem se unir para criar uma grande frente cujo foco seja a luta pelas obras públicas.

Somente os empregados, na luta intransigente pela manutenção dos seus salários e empregos, unidos aos desempregados, na luta pela saída do desalento, podem oferecer um caminho além da miséria capitalista que tomou conta deste país!